Chamadas

Apresentação

Uma revista não fala por si, é sempre um meio de dar voz. A Revista Estudos do Sul Global (RESG) é uma iniciativa do Instituto Tricontinental de Pesquisa Social – escritório Brasil para descobrir, sistematizar e divulgar vozes da resistência que gritam contra o imperialismo e semeiam o futuro.

Orientado pelos movimentos populares, o Instituto Tricontinental no Brasil está focado em estimular o debate intelectual e a construção de novos conhecimentos críticos entre os movimentos populares e organizações políticas e a academia, a serviço da luta de emancipação dos povos. Essa é a nossa maneira de lidar com a produção do conhecimento, como uma reflexão teórica a partir da prática concreta de quem está em processos de lutas emancipatórias. Chamamos de Pensamento Crítico essa ciência produzida a partir dos desafios concretos da luta de classes por aqueles e aquelas que a protagonizam.

São três objetivos que almejamos da RESG, em concordância com a missão do Tricontinental:

• Contribuir na Batalha de Ideias, engajar-se na disputa de narrativas dos eventos mundiais, fazendo um contraponto à visão de mundo burguesa hegemônica e buscando projetar a visão de mundo da classe trabalhadora.

• Contribuir no diagnóstico das questões eminentes ao capitalismo contemporâneo e não deixar de ousar refletir alternativas de futuros, ao buscar construir teorias emancipatórias.

• Contribuir na construção de pontes de diálogo entre movimentos, organizações populares, sindicais e intelectuais, pesquisadores, comunidade acadêmica e artistas. Queremos ser um veículo de estudo e pesquisa sobre a realidade nacional, latino-americana e do Sul Global, fomentando debates amplos e dinâmicos sobre temas relevantes à luta de classes.

Em sintonia com esses objetivos, iniciamos o processo de construção da segunda edição da RESG, em parceria com a Escola Nacional Paulo Freire e a Escola Nacional Florestan Fernandes, com o tema “Cem anos de Paulo Freire: um projeto de esperança”. Ao trazermos esta temática, não pretendemos apenas homenagear o centenário dessa importante referência da educação popular, mas vincular a memória, o legado e os desafios da educação popular a um debate de projeto para pensar a realidade brasileira, latino-americana e do Sul Global, além da necessária práxis libertadora.

A construção do Centenário de Paulo Freire extrapola a sua natureza celebrativa. As comemorações abrem a oportunidade de reforçar as iniciativas em torno do resgate das suas ideias, a sua memória e, através disso, contribuir para a formação de militantes e a disputa ideológica da sociedade.

A nossa homenagem a Paulo Freire manifesta-se pelo compromisso com a educação popular, reconhecendo a essencialidade de sua vida e suas ideias. Uma concepção pedagógica que foi capaz de movimentar a luta política no Brasil e no mundo. Não queremos o conforto de suas ideias, mas a inquietude e a radicalidade tão necessárias para a construção de um horizonte de vida.

Sem dúvida, um de seus grandes legados é a defesa da educação dos oprimidos, mobilizando ações concretas no campo da alfabetização, da escolarização e da formação cultural emancipadora. Por isso, o Instituto Tricontinental e as Escolas Paulo Freire e Florestan Fernandes, junto a outras organizações da classe trabalhadora, participam das celebrações de seu centenário, organizando atividades que se prolongam durante todo ano de 2021 e se enraízem na luta e construção da Pedagogia do Oprimido.

Paulo Freire, aos seus 100 anos, é um convite para revisitarmos profundamente as nossas práticas políticas, a sua eticidade e restabelecermos um novo pacto com a esperança. Há que se trabalhar pela transformação. Toda ação revolucionária é, ao fundo e raiz, pedagógica. Não há como negar que o centenário coloca ao centro das nossas preocupações a relação indissociável entre conteúdo e forma. O ano do centenário é o ano da educação popular.

Neste sentido, a segunda edição da Revista Estudos do Sul Global, Cem anos de Paulo Freire: um projeto de esperança, traz quatro possibilidades de eixos temáticos em que os artigos podem ser submetidos; são eles:

1. Paulo Freire: vida e obra

Este eixo pretende resgatar os elementos centrais que marcaram as fases da vida do pensador brasileiro e o papel que sua trajetória e experiências político-pedagógicas cumpriram para a constituição de sua pedagogia, bem como sua origem familiar; os movimentos educacionais dos anos 1960; o exílio e seus diálogos com a luta popular na América Latina e África; seu retorno ao Brasil; e disputa pela memória e legado de Paulo Freire.

2. O pensamento de Paulo Freire

O objetivo desta temática é trabalhar a pedagogia em Paulo Freire e suas bases epistemológicas e categorias; sua práxis; os fundamentos teóricos da pedagogia do oprimido; a análise das experiências pedagógicas desenvolvidas ao longo da vida do educador; a atualidade da pedagogia do oprimido; e as implicações para a reflexão e a prática da educação popular, dado o contexto neoliberal e a crise do modelo de acumulação de capital, o avanço do conservadorismo, a pandemia do coronavírus e os processos de reestruturação e reorganização no mundo do trabalho.

3. Sistematização de experiências em Educação Popular

A ideia aqui é que possamos refletir sobre as experiências concretas de trabalho popular urbano e rural em educação popular; os processos de educação política e organização; debater os desafios para a luta popular no Brasil; e refletir sobre o trabalho de conscientização e os desafios do diálogo nas experiências atuais de organização popular.

4. Diálogos no Sul Global

O objetivo desse eixo é trazer contribuições sobre a influência do pensamento de Paulo Freire na América Latina, África e Ásia, bem como debater a relação entre os processos de educação popular e os movimentos de libertação nacional. Também busca debater o intercâmbio entre as áreas da educação, ciência e lutas populares no Sul Global a partir dos marcos de pensamento de Paulo Freire.

Prazo para submissão: 06 de agosto de 2021
Data de publicação: Setembro de 2021

Condições para submissão

1. Os artigos devem ter entre 5 e 20 páginas e as resenhas 3 e 5 páginas, incluindo as referências bibliográficas e as notas de rodapé. Devem ser assinados pelos autores com uma breve biografia

2. Os artigos devem conter resumo (em português) que não ultrapassem 150 palavras cada, com indicação de três palavras-chave.

3. Os artigos e resumos devem ser enviados para o correio eletrônico: resg@thetricontinental.org Qualquer dúvida também deverá ser enviada para o mesmo correio eletrônico.

4. O arquivo de texto deve estar em formato padrão para PC (editor de texto, tipo Word e LibreOffice), fonte Times New Roman, tamanho 12, entrelinha 1,5. Utilizar negrito e maiúsculas para o título principal, negrito e minúsculas para subtítulo, negrito e maiúsculas e minúsculas nos subtítulos das seções. Para citações com mais de três linhas utilizar fonte Times New Roman, tamanho 11, espaçamento simples e recuo de 4cm à esquerda.

5. As menções a autores, no correr do texto, devem subordinar-se à forma (Autor, data) ou (Autor, data, p.). Diferentes títulos do mesmo autor, publicados no mesmo ano, deverão ser diferenciados adicionando-se uma letra depois da data.

6. As Referências Bibliográficas devem conter exclusivamente os autores e textos citados no trabalho e ser apresentadas ao final do texto, em ordem alfabética, obedecendo às normas atualizadas da ABNT.

7. As notas de rodapé deverão ser numeradas, apresentadas em fonte Times New Roman, tamanho 10 e espaçamento simples.

8. Os textos assinados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e, portanto, mantêm seu direito autoral preservado. Já o direito de publicação (copyright) é cedido à Revista tão logo o manuscrito seja aceito para a publicação.

9. Os artigos podem ser assinados por mais de um autor.

 

2. Esperançar, 100 anos de Paulo Freire | Chamada para artistas

Em setembro deste ano celebra-se o centenário de Paulo Freire, uma das maiores referências mundiais no debate sobre a educação. Nascido em Recife (PE) em 1921, Paulo Freire sempre enxergou o papel da comunidade e das organizações populares como fundamentais na formação de uma consciência crítica que superasse a dominação e a dependência dos oprimidos.

Assim, como parte das diversas atividades em torno do centenário de Paulo Freire, o Instituto Tricontinental de Pesquisa Social, em parceria com as Escolas Paulo Freire e Florestan Fernandes, a editora Expressão Popular e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), lançam a Exposição de Cartazes “Esperançar, 100 anos de Paulo Freire”, uma chamada para artistas, designers gráficos e militantes utilizar sua criatividade para ilustrar os inúmeros elementos por trás do pensamento do educador pernambucano.

A ideia é aproveitarmos este momento não apenas para homenagear um dos mais importantes pensadores do mundo, mas para reivindicar e difundir sua memória, legado e a radicalidade de suas reflexões, vinculadas às lutas pela libertação e dignidade humana.

O legado de Freire extrapola as fronteiras brasileiras, tendo influenciado, sobretudo, diversos países da América Latina, como o Chile (onde escreveu seu livro mais importante, Pedagogia do Oprimido, e desenvolveu programas de alfabetização de adultos), além de ter tido contatos com as lutas por libertação na África, tendo visitado Zâmbia, Tanzânia, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Angola e Cabo Verde. O educador chegou a desenvolver, inclusive, programas de alfabetização de adultos na Guiné-Bissau, na Tanzânia e em Angola.

Neste sentido, aproveitando o ensejo de um de seus principais pensamentos, sobre a necessidade de desenvolver a consciência crítica dos indivíduos para que ele possa aprender a ler o mundo, nada mais oportuno do que, por meio da arte, fortalecer a batalha intelectual e cultural em tempos tão obscuros.

A chamada para artistas “Esperançar, 100 anos de Paulo Freire”, vem na ideia trabalhada pelo autor sobre a necessidade de ter “esperança, mas ter esperança do verbo esperançar; porque tem gente que tem esperança do verbo esperar. E esperança do verbo esperar não é esperança, é espera. Esperançar é se levantar, esperançar é ir atrás, esperançar é construir, esperançar é não desistir! Esperançar é levar adiante, esperançar é juntar-se com outros para fazer de outro modo…”

Por isso, convidamos todos os artistas que trazem consigo a sensibilidade de olhar o mundo criticamente, mas com esperança, para que, juntos, possamos inspirar outros tantos seres humanos a embarcarem em um profundo processo transformador.

Para ajudar no processo criativo, sugerimos três possibilidades de eixos temáticos para serem trabalhados nos cartazes:

1. Educação popular e consciência: a originalidade da pedagogia freireana 

Por que a pedagogia de Freire revolucionou a forma de se pensar e construir a educação? Por que suas ideias incomodam tanto os poderosos? A construção de uma educação com profundo vínculo com a classe trabalhadora e que almeja sua emancipação é um dos grandes legados que o pedagogo nos deixou. Refletir sobre a profundidade das suas ideias e, mais do que isso, colocá-las em prática, é uma das tarefas centrais de educadores(as) e lutadores(as) populares nos dias de hoje.

2. Esperançar em 2021: a atualidade das ideias de Paulo Freire

Como o pensamento de Paulo Freire nos ajuda a refletir sobre os desafios do mundo hoje? Em um contexto de pandemia e de crise econômica e política em várias nações, a pedagogia freireana nos recorda que só a construção de um trabalho concreto com o povo e o despertar de sua consciência nos possibilitam um horizonte possível para os trabalhadores e trabalhadoras. É preciso passar à ação!

 

3. Uma pedagogia que mudou o mundo: a prática internacionalista de Freire

De Angicos para a África, do Brasil para o mundo: a solidariedade internacional é um dos princípios que Freire carregou ao longo de toda sua vida. Sua pedagogia, fundamentada na valorização dos saberes de cada sujeito e no conhecimento da realidade de cada lugar, encontraram em muitos países um terreno fértil para germinar e se enraizar. Das lutas de libertação na África às universidades do mundo inteiro, as ideias de Freire foram e continuam atuais e necessárias nos quatro cantos do planeta.

 

Como participar?

Tamanho: A3 (Vertical/Retrato); .jpg (300dpi)
Data limite: 20/07
Formulário de inscrição:  https://forms.gle/pEtkvBokM97icGVr6